Dr David Cho

A biópsia de próstata é o exame que confirma ou descarta o câncer de próstata. Apesar de ser um procedimento comum e bem estabelecido, ela costuma gerar receio: muitos homens adiam a investigação por medo da dor, de complicações ou até por mitos sobre o exame. Entender como ela funciona ajuda a tomar a decisão com mais segurança.

Por Dr. David Cho

CRM 199416 | RQE 124566

Por que a biópsia é necessária?

Nem o PSA, nem o toque retal, nem a ressonância magnética são capazes de confirmar o câncer. Eles apenas indicam uma suspeita. Somente a análise de fragmentos do tecido da próstata no microscópio, feita por um patologista, permite dizer se há câncer e qual o seu grau de agressividade. Por isso, a biópsia é o passo que transforma uma suspeita em diagnóstico.

Quando ela é indicada?

A biópsia costuma ser considerada quando há:

  • PSA alterado ou com aumento progressivo ao longo do tempo
  • Toque retal com alteração suspeita
  • Ressonância magnética da próstata com lesão suspeita
  • Acompanhamento de pacientes em vigilância ativa, em reavaliações programadas

 

Um PSA elevado, isoladamente, não obriga a fazer biópsia: várias condições benignas elevam o PSA, e a decisão é individualizada. Grande maioria das vezes, a ressonância é feita antes, e a biópsia só é indicada se houver achado suspeito. Veja mais sobre isso no artigo sobre o exame de PSA e o rastreamento da próstata.

Como é feito o procedimento?

A biópsia retira pequenos fragmentos da próstata, com uma agulha fina, guiada por ultrassom. Existem duas vias principais de acesso:

  • Via transretal: a agulha passa pela parede do reto. É a técnica tradicional.
  • Via transperineal: a agulha passa pela pele da região entre o escroto e o ânus (períneo). Essa via tem ganhado espaço por apresentar, em estudos, menor risco de infecção.

A escolha da via depende da técnica disponível, da experiência da equipe e das características de cada paciente.

Quando há lesão suspeita na ressonância, as imagens podem ser usadas para direcionar a agulha à área exata (biópsia por fusão de imagens ou guiada por ressonância), geralmente associada a coletas de outras regiões da próstata. Isso melhora a chance de identificar tumores clinicamente relevantes.

O procedimento costuma durar de 15 a 30 minutos e é feito em regime ambulatorial, sem internação.

Dói?

O desconforto varia de pessoa para pessoa e conforme a técnica. A biópsia costuma ser realizada com sedação. Em geral, o paciente refere pressão ou desconforto durante a coleta, mais do que dor intensa. As opções de anestesia devem ser conversadas com o urologista antes do exame.

Preparo

O preparo é orientado pelo médico e normalmente inclui:

 

  • Exame de urina (urocultura) antes do procedimento, para descartar infecção
  • Antibiótico preventivo, conforme a via de acesso e o protocolo de cada serviço
  • Revisão dos medicamentos de uso contínuo: anticoagulantes e antiagregantes (como AAS) podem precisar ser ajustados, sempre com orientação médica, nunca por conta própria
  • Informar ao médico alergias, cirurgias prévias e doenças associadas

Recuperação e o que é esperado?

Após a biópsia, é comum:

  • Sangue na urina por alguns dias
  • Sangue no sêmen, que pode durar semanas e costuma assustar, mas geralmente é benigno
  • Sangramento leve nas fezes, na via transretal
  • Desconforto leve na região

 

A maioria dos pacientes retoma as atividades habituais em poucos dias, com orientação de evitar esforço físico intenso por um curto período.

O que o resultado mostra?

O laudo da biópsia informa:

  • Se há câncer ou não
  • O grau de agressividade, classificado em Grupos de Grau (ISUP), derivados do escore de Gleason
  • Quantos fragmentos têm tumor e em que proporção

Essas informações são o que orienta a decisão da conduta. Leia mais no nosso guia Novembro azul: guia completo sobre câncer de próstata e prevenção.

 

Vale saber que, como a biópsia coleta apenas uma amostra da próstata, existe a possibilidade de um resultado negativo em quem tem câncer. Por isso, em casos de suspeita persistente, o urologista pode indicar nova avaliação ou acompanhamento.

Mitos sobre a biópsia

“A biópsia espalha o câncer.” 

– Mito. Não há evidência de que a biópsia faça o câncer se espalhar.

“Se eu fizer a biópsia, vou ter disfunção erétil.” 

– Mito. A biópsia não costuma causar alterações duradouras na ereção. Pode haver desconforto temporário nos primeiros dias.

“Biópsia só se faz quando já se sabe que é câncer.” 

– Mito. Ela é justamente o exame que define se é ou não câncer.

“PSA alto sempre exige biópsia.” 

– Mito. A decisão considera o conjunto: PSA, evolução, toque, ressonância e perfil de risco.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.

Por Dr. David Cho

CRM 199416 | RQE 124566