Dr David Cho

A testosterona é um dos principais hormônios masculinos. Ela participa da libido, da função erétil, da manutenção da massa muscular e óssea, da distribuição de gordura corporal, da produção de células do sangue e até do humor e da disposição. Quando os níveis ficam persistentemente abaixo do adequado, condição chamada de hipogonadismo masculino, esses sistemas podem ser afetados. É um assunto que gera muita dúvida e também muita informação equivocada, por isso vale esclarecer o que é, de fato, baixa testosterona e o que não é.

Por Dr. David Cho

CRM 199416 | RQE 124566

Níveis baixos não são o mesmo que "andropausa"

Diferente da menopausa, a queda da testosterona no homem não é abrupta. Em geral, os níveis podem diminuir de forma lenta ao longo da vida, e muitos homens mantêm valores adequados até idades avançadas. Por isso, o diagnóstico de baixa testosterona não se baseia apenas na idade ou sintomas: depende da combinação de sintomas compatíveis COM exames laboratoriais confirmando a redução do hormônio.

Sintomas mais comuns

Os sinais associados à baixa testosterona incluem:

  • Redução da libido (desejo sexual)
  • Dificuldade de ereção, especialmente a diminuição das ereções espontâneas, como as matinais
  • Cansaço e queda da disposição
  • Perda de massa muscular e redução da força
  • Aumento da gordura abdominal
  • Alterações de humor, como irritabilidade ou desânimo
  • Dificuldade de concentração
  • Redução da densidade óssea, em casos prolongados

 

Esses sintomas são inespecíficos: mais frequentemente possuem outras causas, como estresse, má qualidade do sono, depressão, hipotireoidismo, uso de medicamentos ou outras doenças. Por isso, não devem ser atribuídos à testosterona sem investigação.

Principais causas

A baixa testosterona pode ter origem:

  • Nos testículos (hipogonadismo primário): por exemplo, após traumas, infecções, cirurgias, quimioterapia ou radioterapia, por condições genéticas ou até mesmo utilização prévia de testosterona.
  • No cérebro, na hipófise ou no hipotálamo (hipogonadismo secundário): quando o sinal que estimula os testículos está alterado.
 

Além disso, alguns fatores estão frequentemente associados à redução da testosterona:

 

  • Obesidade e síndrome metabólica
  • Diabetes tipo 2
  • Uso crônico de determinados medicamentos, como opioides e corticoides
  • Uso de anabolizantes, que paradoxalmente podem suprimir a produção natural do hormônio
  • Apneia do sono
  • Doenças crônicas, como doença renal e hepática avançadas

Como é feito o diagnóstico?

A investigação costuma envolver:

  • Avaliação clínica detalhada: sintomas, uso de medicamentos, doenças associadas, hábitos de vida e desejo de ter filhos
  • Dosagem de testosterona no sangue: como o nível do hormônio varia ao longo do dia, a coleta deve ser feita pela manhã, em jejum, e o valor baixo precisa ser confirmado em pelo menos duas dosagens, em dias diferentes.
  • Exames complementares: conforme o caso, incluem hormônios que ajudam a identificar a origem do problema (como LH, FSH e prolactina), além de exames para avaliar o estado geral de saúde

 

Dosar testosterona sem sintomas compatíveis, ou interpretar um valor isolado, pode levar a conclusões equivocadas.

Quando o tratamento é indicado?

O tratamento é considerado quando há diagnóstico confirmado, sintomas compatíveis e níveis baixos comprovados em exames, e depois de avaliar e tratar causas reversíveis. Em muitos pacientes, medidas como perda de peso, atividade física regular, melhora do sono e controle de doenças associadas já contribuem para a recuperação dos níveis hormonais.

Quando a reposição de testosterona é indicada, ela é individualizada e exige acompanhamento periódico, com monitoramento de exames como hematócrito e PSA, entre outros. Alguns pontos importantes:

 

  • A reposição pode reduzir ou suprimir a produção de espermatozoides, efeito que pode ser permanente. Homens que desejam ter filhos precisam discutir alternativas com o urologista antes de iniciar qualquer tratamento
  • Existem situações em que a reposição não deve ser feita, como na presença de câncer de próstata ou de mama ativo, aumento excessivo do número de glóbulos vermelhos ou determinadas doenças cardiovasculares não controladas
  • O uso de hormônios por conta própria, sem diagnóstico e sem acompanhamento, traz riscos reais à saúde

Quando procurar um urologista?

Vale agendar uma avaliação quando houver sintomas persistentes como queda da libido, alterações na ereção, cansaço sem explicação ou perda de massa muscular, principalmente se vierem associados a fatores como obesidade, diabetes ou uso prolongado de medicamentos que possam interferir no hormônio.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.

Por Dr. David Cho

CRM 199416 | RQE 124566