Dr David Cho

O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Apesar da frequência, é também um dos cânceres com melhores taxas de controle quando identificado em estágio inicial, o que torna o rastreamento e o diagnóstico precoce especialmente relevantes.

Por Dr. David Cho

CRM 199416 | RQE 124566

Por que o rastreamento importa?

Na fase inicial, o câncer de próstata costuma não causar nenhum sintoma. O tumor se desenvolve dentro da glândula, sem comprimir estruturas vizinhas nem alterar o jato urinário, diferente, por exemplo, do que acontece na próstata aumentada (HPB). Por isso, a forma mais confiável de identificá-lo cedo não é esperar por sinais de alerta, e sim o acompanhamento urológico regular, com exame de PSA e avaliação clínica, a partir da idade e do perfil de risco de cada paciente.

Quais sinais de alerta para se atentar?

Quando aparecem sintomas, geralmente é em estágios mais avançados da doença. Os mais associados incluem:

  • Dificuldade para urinar ou jato urinário fraco
  • Sangue na urina ou no sêmen
  • Dor óssea persistente, especialmente na região lombar ou no quadril
  • Disfunção erétil de início recente
  • Perda de peso sem motivo aparente

 

É importante destacar que esses sintomas também ocorrem em condições benignas e muito mais comuns, como a hiperplasia prostática benigna. A presença deles não indica câncer por si só, mas justifica avaliação médica.

Quais são fatores de risco conhecidos?

Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver câncer de próstata ao longo da vida:

  • Histórico familiar de câncer de próstata, especialmente em parentes de primeiro grau
  • Ascendência afrodescendente
  • Mutações genéticas específicas, como nos genes BRCA1 e BRCA2

 

Esses fatores ajudam a definir a partir de quando e com que frequência o rastreamento deve começar, uma decisão que deve ser individualizada com o urologista.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação costuma combinar:

  • Exame de PSA: dosagem no sangue de uma proteína produzida pela próstata, cujos níveis podem se elevar em diversas situações, incluindo o câncer
  • Toque retal: permite avaliar a textura e o contorno da próstata, de forma complementar ao PSA. Exame que já não é mais essencial para o diagnóstico.
  • Ressonância magnética multiparamétrica da próstata: quando indicada, ajuda a localizar áreas suspeitas antes de uma eventual biópsia
  • Biópsia de próstata: exame que confirma o diagnóstico, geralmente guiada por imagem, indicada quando os exames anteriores levantam suspeita relevante

 

Um PSA alterado não significa, isoladamente, que existe câncer. Vários fatores benignos podem elevá-lo. A interpretação sempre leva em conta o conjunto de exames e o contexto clínico do paciente.

O que acontece após o diagnóstico?

Quando o câncer de próstata é confirmado, a conduta é definida de forma individualizada, considerando o grau de agressividade do tumor, a extensão da doença e a saúde geral do paciente. As opções vão desde a vigilância ativa (acompanhamento rigoroso sem tratamento imediato, reservado a tumores de baixo risco), até cirurgia, radioterapia ou outras abordagens, dependendo do caso. Vamos detalhar essas opções de tratamento em um próximo conteúdo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.

Por Dr. David Cho

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