Dr David Cho

O Novembro Azul existe para lembrar que o câncer de próstata, o segundo mais comum entre os homens no Brasil, pode ser identificado cedo, quando as chances de controle são maiores. Este guia foca no que costuma gerar mais dúvida: quando começar a se avaliar, quais são as opções de tratamento, os mitos mais comuns e o que se sabe sobre prevenção. Para entender a doença, seus sinais e fatores de risco, leia antes nosso artigo Câncer de Próstata: entenda um pouco mais sobre a doença.

Por Dr. David Cho

CRM 199416 | RQE 124566

Quando começar a se avaliar?

A orientação mais utilizada pelas sociedades médicas de urologia no Brasil é conversar com o urologista a partir dos:

  • 50 anos, para homens sem fatores de risco especiais
  • 45 anos, para homens com histórico familiar de câncer de próstata (pai ou irmão) ou de ascendência afrodescendente

 

Vale saber que existe uma discussão científica sobre o rastreamento: o benefício de detectar cedo precisa ser pesado contra o risco de diagnosticar e tratar tumores pouco agressivos que talvez nunca causassem problema. Por isso, a decisão deve ser compartilhada entre paciente e urologista, considerando idade, histórico familiar, expectativa de vida e preferências pessoais. Não existe uma regra única para todos.

Como é feita a avaliação?

A avaliação se baseia no PSA com, algumas vezes, o toque retal, e, se houver suspeita, segue com ressonância magnética e biópsia, que é o exame que confirma o diagnóstico e ajuda a definir o grau de agressividade do tumor. Esse grau é justamente o que orienta a decisão de tratamento, porque existem tumores de comportamentos muito diferentes. Os detalhes de cada exame estão no artigo sobre exame de PSA e no de Câncer de Próstata: entenda um pouco mais sobre a doença.

Opções de tratamento

O tratamento é individualizado. Depende do grau de agressividade do tumor, da extensão da doença, da idade, de outras doenças e das preferências do paciente. As principais abordagens são:

  • Vigilância ativa: para tumores de baixo risco, pode-se optar por acompanhar a doença de perto, com PSA, exames de imagem e biópsias periódicas, e só tratar se houver sinal de progressão. Evita ou adia os efeitos colaterais do tratamento em quem não precisa dele no momento.
  • Cirurgia (prostatectomia radical): retirada da próstata, que pode ser feita por técnica aberta, laparoscópica ou robótica, conforme a indicação e a disponibilidade.
  • Radioterapia: pode ser externa ou por implante de “sementes” (braquiterapia), podendo ser associada a tratamento hormonal em casos selecionados.
  • Terapia hormonal e outros tratamentos sistêmicos: usados em doença mais avançada ou em combinação com outras modalidades.

 

Todos os tratamentos têm benefícios e possíveis efeitos colaterais, entre eles alterações na continência urinária e na função erétil, cuja frequência varia conforme a técnica, o caso e a experiência da equipe. Esses pontos devem ser conversados com clareza antes da decisão. Para entender mais sobre o assunto, leia também nosso artigo sobre disfunção erétil.

Mitos e verdades

“Só tenho que me preocupar se tiver sintoma.” 

– Mito. O câncer de próstata inicial geralmente não dá sintomas, justamente por isso a avaliação periódica é o que permite o diagnóstico precoce.

“Próstata aumentada vira câncer.”
– Mito. A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição comum e não é uma fase pré-câncer. As duas podem coexistir, porque ambas são frequentes com o avanço da idade. Leia mais sobre próstata aumentada.

“Fazer o toque retal afeta a masculinidade ou a vida sexual.”
– Mito. Trata-se de um exame médico rápido, sem relação com orientação sexual ou desempenho.

“PSA alterado significa câncer.”
– Mito. Várias situações benignas elevam o PSA. Ele indica a necessidade de investigar, não de se desesperar.

 

“Câncer de próstata sempre precisa de cirurgia imediata.”
– Mito. Em tumores de baixo risco, a vigilância ativa é uma estratégia reconhecida e segura em pacientes bem selecionados.

O que se sabe sobre prevenção?

Até hoje, não existe uma forma comprovada de prevenir o câncer de próstata. Mesmo assim, hábitos saudáveis fazem diferença para a saúde geral do homem e são recomendados:

  • Manter peso adequado e praticar atividade física regularmente
  • Ter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e verduras
  • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool
  • Controlar doenças como diabetes, hipertensão e colesterol elevado

 

Nenhum suplemento, chá ou “produto natural” tem eficácia comprovada para prevenir o câncer de próstata. A prevenção que realmente funciona é o acompanhamento regular com o urologista.

Quando procurar um urologista?

Vale agendar uma consulta se você:

  • Tem 50 anos ou mais (ou 45 com histórico familiar ou ascendência afrodescendente) e nunca fez avaliação
  • Tem PSA alterado em um exame recente
  • Nota mudanças no jato urinário, sangue na urina ou no sêmen, ou dor persistente na região lombar ou nos ossos
  • Tem dúvidas sobre o seu risco individual
  • Necessita de acompanhamento médico regular

 

Cuidar da saúde da próstata é, antes de tudo, uma decisão de informação e de rotina, e o Novembro Azul é um bom momento para dar esse passo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.

Por Dr. David Cho

CRM 199416 | RQE 124566